|
Transporte de doações para desabrigados de Santa Catarina é suspenso
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
|
|
Governo estuda novas medidas de apoio ao crédito para investimentos, diz Dilma
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje (3), na Câmara dos Deputados, que o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam novas medidas para aumentar o crédito para investimento no país. Segundo ela, a crise econômica internacional fez com que o acesso ao crédito externo “praticamente secasse no país”.
Dilma disse ainda que as medidas tomadas até agora pelo governo, como a redução do depósito compulsório feito pelos bancos e a manutenção da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) e do volume de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), objetivam fazer com que a desaceleração da economia brasileira seja a menor possível.
Para aumentar a oferta de crédito no mercado interno, informou a ministra, o governo estuda a manutenção das obras públicas e dos gastos sociais, além do corte no custeio da máquina pública.
A ministra esclareceu também que as medidas tomadas para apoiar o setor agrícola visam a aumentar a disponibilidade de crédito para assegurar a produção.
Neste momento, a ministra participa de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados para discutir os impactos da crise econômica no Brasil e as ações do governo para enfrentá-la.
|
Para diretor do Unicef, raiz da exploração sexual de crianças é social e não econômica
Mariana Jungmann
Enviada Especial
|
|




|
Rio de Janeiro - A raiz da exploração sexual de crianças e adolescentes não é econômica e sim social. Essa é a defesa do diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na América Latina e no Caribe, Nils Kastburg.
Em entrevista à Agência Brasil durante o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, em andamento no Rio, Kastburg diz que a situação mais grave está na família. Segundo ele, na América Latina e no Caribe, a cada hora 228 meninas e meninos são abusados por alguém ligado a sua família.
O diretor do Unicef também aponta a necessidade de leis de cooperação internacional e de trabalho conjunto entre países limítrofes para combater o problema, especialmente os 12 que compõem a União Sul-Americana de Nações (Unasul).
Agencia Brasil: Que peso tem, para o Brasil e a América Latina, o fato de esse congresso mundial acontecer no Rio de Janeiro?
Nils Kastburg: Os dois primeiros congressos mundiais trataram exclusivamente de exploração sexual comercial. Agora, no terceiro, temos ampliado o âmbito de discussão, o que permite trabalhar a temática do abuso sexual em torno da família. Muitos dos que vemos nas ruas de prostituição começaram com violência intrafamiliar, com abuso sexual em casa. E o que esperamos é que este congresso ajude a visibilizar mais isso. Havia um manto de silêncio em cima de todos os altos níveis de abuso em torno da família. As mulheres que viam suas filhas sendo abusadas por seus amantes não falavam e é importante que comecem a falar desse tema. Sabemos que quando não se rompe o silêncio, isso se repete de geração em geração. Hoje em dia, a América Latina e o Caribe têm 228 meninas e meninos sendo abusados a cada hora por alguém em torno da sua família e este congresso quer pôr à luz do mundo o que está ocorrendo em nossa região. Também espero que este congresso consiga visibilizar o mau comportamento dos homens, porque na grande maioria dos casos de exploração sexual, seja comercial ou familiar, o problema está nos homens.
ABr: A pobreza quase sempre está na base da exploração sexual de crianças e jovens, especialmente quando se trata da comercial. Como um congresso pode ter impacto sobre essa exploração quando ela está relacionada a um problema tão profundo quanto a pobreza?
Kastburg: Primeiro a exploração sexual e o abuso sexual em torno da família não é um tema relacionado à pobreza. Têm muitas crianças que no contexto da pobreza estão muito bem protegidas. O abuso é exercido por aqueles que, por exemplo, vêem fotos pornográficas de crianças pela internet.
A maioria dos que estão comprando essas fotos são pessoas de classe média ou ricas. Eles são parte desse problema, que é dos ricos, da classe média e dos pobres. Primordialmente, as meninas que terminam na prostituição, não acabam assim por causa da pobreza, mas principalmente por causa da violência. Encontro muitas meninas que me dizem 'eu prefiro dar sexo para um policial do bairro uma vez por semana para que ele me proteja, que estar em casa todas as noites com meu padrasto abusando de mim'. Então, 50% ou 60% das crianças que estão nas ruas da América Latina, não estão primordialmente por pobreza, estão principalmente por causa da violência familiar. A exploração sexual comercial se nutre dos altos níveis de abusos sexuais na família. O que precisamos é romper o silêncio e gerar uma vergonha. Temos que fazer com que a sociedade, que atualmente é indiferente, sinta vergonha do fato de que há pessoas que querem usar e abusar dos meninos e meninas brasileiros e de todo o mundo. Enquanto tivermos uma sociedade que tolera isso, vamos estar mal.
ABr: Então o problema é social e não econômico?
Kastburg: Exatamente. Mas se na parte econômica existem grandes disparidades, se há grandes diferenças, o rico e o de classe média vão usar seu poder econômico para influenciar uma pessoa que tem menos poder econômico ou menos poder de se defender. Também temos muitos abusos sexuais nas escolas. Existem muitos professores que usam seu poder sobre as crianças. Isso não tem a ver com o fato de serem ricos ou pobres.
ABr: Um dos temas que é foco do congresso, e que no Brasil já é fruto de uma grande discussão no Legislativo, é a questão da pedofilia na internet. Na sua opinião, às pessoas são mais tolerantes com essa prática por achar que o online não é real e por isso não se configura num abuso de fato?
Kastburg: Uma grande diferença entre o segundo e esse terceiro congresso é a expansão da internet. Por um lado, isso ajuda os jovens a se comunicarem, mas por outro também abre [oportunidade] para aqueles que querem abusar das crianças. Nesse momento eu acredito que a Europa tem uma enorme responsabilidade. Cerca de 25% do tráfico [de crianças] acontece na Europa ou ao redor dela. E muitos turistas europeus estão vindo aos nossos países da América Latina e se aproveitando das crianças da região. Esse tipo de turismo nós não queremos. É muito importante anunciar para cada turista que nossos meninos e meninas não estão para ser comprados ou abusados. E a internet é um instrumento muito poderoso por estar guiando minuto a minuto onde se pode ter acesso à crianças para prostituição infantil ou para abuso sexual. Por isso, temos que melhorar a capacidade da polícia e do sistema judicial de saber o que está se passando na internet. Mas nós temos apenas quatro países - Canadá, Chile, Paraguai e o Brasil - que proíbem a pornografia infantil. Então faltam muitas leis na América Latina e no Caribe, porque se no Brasil não se permite, mas em outro país sim, vai se fazer intercâmbio com ele. É importante conseguir que proibir a pornografia infantil se converta numa política pública regional e que haja um sistema de seguimento para pôr na cadeia aqueles que o fazem. Também deve haver um compromisso do setor privado, de todas as empresas que provêem serviços de internet de assegurar-se que não existe uma página de exploração infantil em seus domínios.Do mesmo modo, queremos que os gerentes de todos os hotéis digam aos seus empregados claramente: se vocês virem alguma menina ou menino, acompanhando um adulto, de maneira suspeita, não os deixem subir para o quarto. Temos que dizer claramente que esse turismo que destrói nossas crianças, não queremos aqui.
ABr: Como os países da Unasul podem agir em cooperação para combater a exploração sexual de crianças?
Kastburg: No Mercosul já existe a política de “Niños Sur” (Crianças do Sul), que queremos que seja reforçada. Ela assegura por exemplo, que se for descoberta uma rede que levou uma menina paraguaia para a Argentina, que essa menina seja acompanhada para ser reunificada com sua família. Essa cooperação é muito importante entre os países limítrofes. Foz do Iguaçu/Ciudad del Este é um centro onde há talvez três mil meninas que estão envolvidas em abuso sexual e prostituição. O mesmo tem acontecido na fronteira entre Boa Vista (RR) e a Guiana. Temos que ver como está a fronteira entre Bolívia e Brasil. Em todas as nações limítrofes, onde há grandes diferenças entre ricos e pobres, ali vai haver também muitos que usam e abusam do seu poder econômico e social. É muito importante que haja responsabilidade de quem está demandando. Se o cliente está pagando por esse serviço, ele tem que ser responsabilizado. Eu espero que nós possamos ter leis em toda a América Latina dentro de alguns anos, que penalizem quem procura esses serviços, os que procuram fotos na internet, os que têm as fotos nos seus computadores. É muito importante ter uma coordenação na parte legislativa, porque muitos desses usam o translado de pessoas, os fluxos migratórios. Por exemplo, existem 400 mil brasileiros que compraram terras no Paraguai. Eles estão indo e vindo entre Brasil e Paraguai e podem estão contribuindo para a exploração sexual lá. É importante que o Brasil ajude o Paraguai a resolver isso, não é uma resonsabilidade só deles. É uma responsabilidade também do Brasil.
ABr: Qual a expectativa do Unicef e das intituições parceiras com relação a aplicação do que for decidido no Congresso, por parte dos países participantes?
Kastburg: Nós achamos que falta visibilizar o problema, romper o silêncio, estabelecer os marcos legislativos necessários, e mudar a atitude da sociedade. Temos uma sociedade que tolera a violência contra a criança. E necessitamos educação para a proteção. Há muitas pessoas que pensam que oferecer educação sexual vai fazer com que a menina saia e se jogue na primeira cama para ter sexo. Nada pode estar mais incorreto. Educação sexual é ajudar a menina e o menino a se protegerem do abuso sexual. Uma menina de quatro anos a quem a mãe diz 'filha, se um homem quiser te tocar, você diz que não”, estará dez vez mais protegida que a menina cuja mãe não lhe diz nada.
|
Número de mortos devido às chuvas chega a 59 em Santa Catarina
Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - Cinquenta e nove pessoas já morreram por causa do temporal que atingiu a Região Leste de Santa Catarina. Segundo último balanço divulgado pela Secretaria de Defesa Civil de Santa Catarina, há registros de 14.511 desabrigados e de 28.543 desalojados.
Os dados da Defesa Civil mostram que o maior número de mortes ocorreram em Ilhota, onde 15 pessoas morreram. Depois Blumenau com 13 mortes. As outras mortes foram em Gaspar (10), Jaraguá do Sul (6), Luiz Alves (4), Rodeio (4), Benedito Novo (2) e Rancho Queimados (2), Brusque (1), Pomerode (1) e Bom Jardim da Serra (1).
As cidades deSão Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo estão estão isoladas do restante do estado devido a deslizamento de terras e destruição de pontes.
Hoje (24), a Defesa Civil abriu duas contas bancárias para receber doações em dinheiro para ajudar as pessoas atingidas pelas chuvas. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas contas: Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7; ou Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Em nota, a Defesa Civil divulgou que todo o dinheiro arrecadado será utilizado para a compra de mantimentos para os desalojados. |
Governo de Santa Catarina decreta situação de emergência por causa das chuvas
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - Após 52 dias de chuva, que resultaram em mais de 700 pessoas desabrigadas e seis mortes, o governo de Santa Catarina decretou no fim da tarde de hoje (22) situação de emergência em todo o território estadual. A medida será adotada, segundo o ocoordenador da Defesa Civil estadual, major Márcio Alves, também pela dificuldade de alguns municípios de providenciar os trâmites burocráticos para os decretos, devido ao isolamento. Essas cidades passam a ter assim tratamento prioritário também pelo governo estadual na recuperação dos prejuízos provocados pelas semanas seguidas de chuvas e vendavais.
A perspectiva de que as chuvas continuem de forma significativa sobre o estado preocupa as autoridades. “É uma situação que está grave e tende a piorar cada vez mais com a seqüência das chuvas”, afirmou Alves, após reunião com o governador Luiz Henrique da Silveira.
O governo também decidiu ativar imediatamente um grupo de ações coordenadas, composto por representantes de todas as secretarias estaduais, para implementar ações preventivas e de amparo às vítimas dos alagamentos e desmoronamentos.
O último boletim divulgado pela Defesa Civil catarinense, na tarde de hoje, mostra que 746 pessoas estão desabrigadas e desalojadas. Uma pessoa morreu soterrada em Brusque após deslizamento. No município de Gaspar, foi comunicada a ocorrência da explosão de um gasoduto, que provocou um buraco no asfalto e levou à interdição da BR-470, além de ter causado o incêndio de uma casa.
Em Navegantes, há mais de 100 pessoas desabrigadas, e em Balneário Camboriú um hospital atingido pelo desmoronamento de barranco teve duas alas e a cozinha comprometidas, com necessidade de remoção de pacientes.
A Defesa Civil recomenda atenção da população para que evite o trânsito nos locais alagados e fique atenta a qualquer sinal de deslizamento. No caso de emergência, as pessoas devem ligar para o 199.
Enquanto Santa Catarina sofre com as chuvas, centenas de municípios do Nordeste e do norte de Minas Gerais decretaram situação de emergência em virtude uma seca prolongada que durou quase oito meses. As primeiras chuvas começaram a cair nas últimas semanas, mas, conforme apurado pela Agência Brasil em reportagens em municípios mineiros e baianos, dificilmente os prejuízos serão recuperados, pois o período chuvoso naquelas regiões chegou com atraso e as médias pluviométricas diminuem ano a ano.
|
Participação do negro no mercado de trabalho cresce, mas renda ainda é inferior à do branco
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - A participação dos negros no mercado de trabalho brasileiro aumentou desde a segunda metade da década de 90. No entanto, as condições de trabalho e de renda ainda continuam muito aquém das registradas pela população branca.
De acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008, elaborado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 20,6 milhões de pessoas ingressaram no mercado de trabalho de 1995 a 2006. Desse número, apenas 7,7 milhões eram brancos. O restante, 12,6 milhões de pessoas, eram pardas e pretas.
No entanto, ao observar o rendimento mensal real do trabalho, a desigualdade de raça e a de gênero prevalecem. O vencimento médio dos homens brancos em todo país equivalia, em 2006, a R$1.164,00, valor 53% maior do que a remuneração obtida pelas mulheres brancas, que era de R$ 744,71. O rendimento dos homens brancos era ainda 98,5% superior ao dos homens negros e pardos, que era de R$ 586,26. Era ainda 200% superior ao rendimento das mulheres negras.
Para o pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Socioeconômicos (Dieese) Clemente Ganz Lúcio, que também integra grupo de trabalho do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) sobre políticas de eqüidade, a diminuição da desigualdade no mercado de trabalho depende de vários fatores, mas especialmente do acesso da população negra à educação de qualidade.
“Os avanços que podem ser conquistados dependem de vários fatores, entre eles, do crescimento econômico, do processo de desenvolvimento, dos ganhos políticos, da democracia. No caso específico dos negros, um dos fatores que contribuem para essa desigualdade é educação, ou seja o acesso à educação de qualidade. Enquanto os negros não chegaram no mesmo ritmo ao ensino universitário, ao ensino técnico, aos postos de trabalho de qualidade, a diferenciação de renda não vai cair.”
O aumento da participação da população negra nos últimos anos no Brasil na população economicamente ativa, na opinião de Clemente Ganz Lúcio, já pode ser reflexo da adoção do sistema de cotas nas universidades a partir de 2003.
"As cotas, em certa medida, geram a oportunidade para a população negra ocupar um espaço cujo acesso exclusivamente meritório, ou seja, pela capacidade, acabava excluindo esses alunos. O que a experiência tem mostrado é que essas pessoas estão tendo um desempenho equivalente ao dos demais estudantes e, portanto, um investimento continuado poderia propiciar essa mudança. As cotas são um remédio doído para a sociedade porque significam reconhecer uma discriminação, mas podem fazer diferença lá na frente. É evidente que, no futuro, se essa situação for superada, a própria política de cotas desaparece”, avaliou.
O diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mário Theodoro, aponta as razões históricas para a desigualdade, mas ressalta, na publicação Desigualdades Raciais, Racismo e Políticas Públicas 120 Anos após a Abolição, o dilema vivido pelo Brasil moderno que “convive e vive da desigualdade”. "No país que convive e vive da desigualdade, o negro, ao perder o lugar central no mundo do trabalho, não deixou de exercer um papel social como o núcleo maior dos pobres, prestadores de serviços aos quais as classes médias recorrem ostensiva e sistematicamente”, destaca.
Para Clemente Ganz Lúcio, é importante destacar o reconhecimento da existência da desigualdade e sua redução ao longo dos últimos anos, um avanço a ser comemorado. “O que nós temos que observar é o fato de que temos uma redução da desigualdade. Ainda é grande, mas até pouco tempo não era nem reconhecida. À medida que se reconhece que a desigualdade é um problema estrutural, ou seja, ele não é momentâneo, faz parte da nossa história e da constituição da organização econômica e social do país, observarmos a mudança no sentido de que a desigualdade é um resultado a ser comemorado”, destacou.
“Deve ser comemorado no sentido de que caminhamos no sentido da redução dessa desigualdade. Deve nos preocupar, deve ser um alerta, deve ser um indicativo de que a gente deve estar o tempo todo combatendo, mas também identificando se as ações que estão sendo implementadas estão contribuindo para que ocorra uma diminuição dessa desigualdade", acrescentou.
Ele lembrou que a luta contra a discriminação é recente no Brasil e que ainda há muito caminho a ser percorrido para eliminar o problema. “A história nos mostra que os processos sociais que levam a essa mudança não são imediatos, ou seja, é uma construção social que leva tempo. Mais ou menos o tempo de quanto as políticas publicas, os movimentos sociais e a organização da sociedade estão dispostas a promover a transformação daquela realidade. Mas, de todo modo, levam-se anos, gerações para que ocorram mudanças substantivas nesse aspecto. A própria questão da discriminação racial é uma luta dos últimos 100 anos. Pegando a história da humanidade, é uma luta de pouco tempo, assim como a luta pela igualdade entre homens e mulheres. São conquistas que não são pequenas”, avaliou.
Pesquisa divulgada nesta semana pelo Dieese e pela Fundação Seade mostra que os salários pagos na região metropolitana de São Paulo a profissionais não-negros ainda representam o dobro dos rendimentos dos negros. Em 2007, de acordo com a pesquisa, o rendimento médio por hora dos negros era de R$ 4,36, contra R$ 7,98 dos não-negros. |
.
ARQUIVO BAHIA ACONTECE:
Trânsito do Centro
A Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) modifica o trânsito no Centro da cidade hoje (dia 20) devido à necessidade de disciplinar o tráfego de veículos, para realização da XXIX Marcha da Consciência Negra Zumbi dos Palmares. A partir das 15 horas, o transito será interditado progressivamente no Largo do Campo Grande, Rua Forte de São Pedro, Avenida Sete de Setembro (Mercês / Rosário / Piedade / São Pedro / São Bento), Praça Castro Alves, Rua Padre Vieira, Rua da Ajuda, Rua José Gonçalves, Rua Guedes de Brito, Rua do Saldanha e Largo do Terreiro de Jesus.
DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA
A cada ano, o dia 20 de novembro se consolida como uma data de grande significado no calendário histórico nacional. A memória de Zumbi dos Palmares reafirma-se no panteão dos heróis que escreveram, com a própria vida, a história do povo brasileiro, na luta por ideais grandiosos, tais como igualdade e justiça social. O Quilombo dos Palmares é um dos principais símbolos da resistência negra na época da escravidão, também conhecido por Angola Janga, que significa Angola Pequena. Localizava-se na Serra da Barriga, atual Estado de Alagoas, local de grandes plantações de cana-de-açúcar.
Durante cem anos (1595-1695), Palmares constituiu um foco de resistência aos ataques da Coroa, conseguindo também ter uma vida social extremamente organizada, chegando a contar, em 1640, segundo os holandeses, quase dez mil quilombolas. Era de interesse dos grandes proprietários de terra aniquilar Palmares, para tentar recuperar escravos e para evitar que, tendo Palmares como referência, os escravos tivessem maior motivação para a fuga. Para Zumbi, o mais importante não era viver livre, mas libertar todos os negros ainda escravos. Em função da sua expressão histórica e da resistência que representa, o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, foi adotado pelo Movimento Negro Brasileiro como o Dia Nacional da Consciência Negra, data que é celebrada em todo o país.
Se prestarmos atenção às pessoas que estão ao nosso redor, veremos que muitas têm avós italianos, pais árabes, origem espanhola, alemã ou portuguesa. Mais claramente, veremos uma grande maioria de crianças ou adultos com traços fisionômicos que evidenciam sua origem negra. O negro é talvez o elemento que maior contribuição trouxe à formação da cultura brasileira. Nos porões dos navios negreiros, já vinham os germes do samba, do frevo, do candomblé, do carnaval, do culto à Iemanjá, do sabor quente e forte de nossa comida, além de crenças e hábitos os quais nos acostumamos tanto, que nem paramos para pensar de onde vêm. Mas hoje, 113 anos depois de outorgada a abolição da escravatura, ainda podemos acompanhar a luta das ONGs com a questão racial para mudar a imagem social do negro no País.
A cultura negra sempre esteve atrelada à escravidão e ao preconceito. A maioria das pessoas acredita que existe um racismo silencioso, pois muitas delas preferem não falar sobre o assunto. "O racismo explícito, pelo menos no meio urbano, vai se enfraquecendo, principalmente por conta da consciência crescente de que é prática criminosa. Mas o preconceito (que é o racismo subterrâneo) continua. E é fomentado, principalmente, pelas novelas da Rede Globo, que são um veículo muito poderoso", comenta Nei Lopes, compositor e um dos maiores estudiosos de história do povo negro no Brasil.
O preconceito racial é sempre adquirido através da aprendizagem. Em geral, a pessoa é levada desde criança a ter idéias e atitudes preconceituosas, por viverem numa sociedade em que predominam valores racistas. "A sociedade brasileira põe na nossa cabeça - veja os negros sempre fazendo papel de subalternos nas novelas - que nós somos inferiores, porque nossos antepassados foram escravos e os dos donos do poder foram senhores. Prevenir isso só através da Educação Fundamental, com uma revisão completa da História, e por meio de ações governamentais afirmativas", diz Nei Lopes.
Apesar do mito da democracia racial, os índices de desigualdade econômica e social entre negros e brancos demonstram o grau de racismo existente no País. A realidade contemporânea reflete estereótipos do tempo da escravidão, com o negro continuando a viver à margem da sociedade. Ainda segundo Nei Lopes, há razões históricas para isso: " A Abolição foi feita de qualquer maneira e não teve medidas que a complementasse. A sociedade de então optou claramente por branquear a nação pela imigração européia e jogou os recém libertos, literalmente, no lixo. Sob o ponto de vista histórico, o racismo serviu freqüentemente para justificar a dominação e a exploração de um grupo por outro. Hoje, quase metade da população do País é negra, mestiça ou parda, não tendo realizado o sonho das elites brasileiras com a vinda dos imigrantes europeus.
Primeiras chuvas em seis meses não apagam rastro da seca em Monte Azul
Marco Antônio Soalheiro
Enviado Especial
Monte Azul (MG) - O visitante que se aproxima do distrito de Pajeú, na zona rural de Monte Azul, norte de Minas Gerais, se depara nesses dias com uma cena em princípio inusitada, mas que tem se tornado comum nos últimos períodos de seca.
Trata-se de um encontro entre dois rios – Pajeú e Tremedal – completamente secos, o que obriga moradores da região a dividirem a água distribuída por carros-pipa com os animais.
A situação dos rios é reflexo, além da falta de chuvas, da ação predatória de parte dos agricultores junto às encostas. “Fazem muito desmatamento na beira da serra. Tiram madeira para vender, para ter espaço para plantar um rocinha na beira do rio”, descreveu Aristeu Oliveira, 42 anos, todos eles vividos na região.
As chuvas que começaram a cair esta semana, após seis meses de estiagem, terão de ser intensas nas próximas semanas para que os rios encham antes do final do ano.
Um pouco à frente, a senhora Laudir Cardoso, 57 anos, trabalha em uma pequena plantação de algodão e mandioca, visivelmente esturricada. Ele retira as mudas estragadas e planta novas à espera de efeitos positivos com a volta das águas. “Perdemos metade da produção. Nossa plantação de mandioca, vai demorar agora mais dois anos para colher”, reclamou.
Com uma roça voltada a apenas para consumo próprio, Laudir complementa a aposentadoria de um salário mínimo com R$ 62,00 recebidos do programa Bolsa Família. Dos 8 filhos, apenas 2 permanecem em Monte Azul, pois os demais reforçam as estatísticas da emigração constante na região. “Não tinha serviço ordenado aqui e foram embora [para o interior de São Paulo] tentar algo melhor”, contou.
À medida em que se avança pela zona rural do município com área total de 991,57 quilômetros quadrados, mais cicatrizes da seca surgem expostas. Dezenas de casas em situação precária estão abandonadas. Em pastos ralos, vacas magras e algumas mortas.
Segundo relato de moradores, uma família que possui duas boas vacas leiteiras pode se sentir privilegiada, pois conseguirá tirar delas o necessário para uma alimentação digna. Cada uma dá em média de 8 a 10 litros de leite por dia, vendidos a R$ 1,00 cada para laticínios. Num mês tira-se em torno de R$ 600 reais, desconta-se um custo de aproximadamente R$ 200,00, e o restante “ dá para fazer a feira”.
Ao analisar o agravamento da pobreza na região, Aristeu Oliveira, que já foi vereador, recordou com ar saudosista que há 25 anos, quando ainda chovia, segundo ele, de setembro a março, a vida era melhor. Para ele, a água diminuiu e o comportamento das pessoas também mudou. “O algodão dava um bom dinheirinho e não tinha essa crise. Ninguém ligava para essas modinhas de roupas, por exemplo. Bastava ter duas calças e duas camisas para trabalhar e mais uma roupa bonita para o São João”.
De acordo com os dados oficiais o município de Monte Azul, a 530 quilômetros de Belo Horizonte, reúne em torno de 24 mil habitantes, 52% deles vivendo na área rural. Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Francisco de Assis, com a seca dos últimos seis meses 60 comunidades rurais, onde vivem quase 8 mil pessoas, ficaram na dependência dos caminhões-pipa.
Substituição de servidores do Samu por bombeiros provoca protesto no Rio
Da Agência Brasil
|
|




|
Rio de Janeiro - Os trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no Rio, iniciaram um movimento contra o que chamam de militarização do setor. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), o estado vai demitir funcionários do Samu e substituí-los por militares do Corpo de Bombeiros concursados. Cerca de 1500 trabalhadores, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas, poderão ser dispensados, segundo a entidade. Profissionais que ocupam postos de nível médio, informa o Sindsprev-RJ, já receberam cartas de demissão e cumprem o aviso prévio.
Os funcionários decidiram hoje (11), em assembléia, realizar uma manifestação na manhã desta quinta (13), no centro do Rio. De lá, eles seguirão em direção à Secretaria de Saúde, onde tentarão negociar com o secretário Sérgio Côrtes. O médico do Samu Edson César Coelho, que integra a comissão de negociação com o estado, alega que a contratação dos bombeiros é inconstitucional.
“O governo do estado está substituindo os profissionais civis por bombeiros, mas a atuação de militares nessa área é inconstitucional, segundo o artigo 144, parágrafo 5º da Constituição Federal”, explica o médico.
De acordo com Edson, há comunidades dominadas pelo narcotráfico onde ambulâncias com soldados e oficiais são proibidas de entrar, o que pode atrapalhar a prestação dos serviços nessas áreas.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde informou que os profissionais terceirizados que trabalham no serviço de atendimento de urgência serão, de fato, substituídos pelos bombeiros aprovados em concurso público. O órgão alega que o concurso foi aberto a todos os interessados.
|
ONU vai ouvir mais de 35 milhões de brasileiros sobre problemas do país
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
São Paulo - O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) pretende ouvir nos próximos meses mais de 35 milhões de brasileiros para identificar o problema do país que mais merece atenção. A ação é inédita no Brasil e deverá ser concluída até o início de 2010.
Os dados colhidos, por intermédio de questões como “o que precisa mudar no Brasil para a sua vida dar uma melhorada?” ou “o que precisa mudar no Brasil para a sua vida mudar de verdade?”, serão usados para a elaboração dos temas do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud, estudo composto por diagnósticos, sugestões e divulgação de indicadores de desenvolvimento humano. O relatório mais recente, publicado em 2005 no Brasil, teve o tema Racismo, Pobreza e Violência.
“O próximo relatório de desenvolvimento humano não vai ter um tema definido em gabinete, mas vai ter um tema que vai ser definido pelas pessoas, pela sociedade organizada e desorganizada. Parte do desafio desse relatório é conseguir, pela primeira vez, não somente no Brasil, mas no mundo, fazer essa experiência a partir de uma consulta aberta”, afirma coordenador do relatório de desenvolvimento do Pnud, Flávio Comin.
Hoje (10), em São Paulo, os primeiros brasileiros que farão parte da pesquisa, denominada Brasil Ponto a Ponto, foram ouvidos em audiência pública. A maior parte das pessoas que serão consultadas, no entanto, deverão ser ouvidas a partir de janeiro.
“Por meio de uma parceria com a TIM nós vamos poder consultar 35 milhões de brasileiros via mensagem de texto. E através de uma parceria com a Caixa Econômica Federal ouvir aquelas pessoas que não têm telefone da TIM. As pessoas vão poder usar lotérica e as agências para deixar a sua opinião”, explica Comin. Os Correios também participarão.
O Pnud já consultou os 4.009 cursos de pós-graduação existentes no país para ouvir os acadêmicos. Também fechou parcerias com a Confederação Nacional dos Municípios e com o portal dos Voluntários.
“O propósito é escutar as pessoas sobre suas vidas e sabemos que é difícil você fazer isso sem respeitar o indivíduo, porque cada pessoa tem o seu ponto de vista, tem a sua sensibilidade, sua vivência. Temos que reconhecer que, ao mesmo tempo, existe a coletividade e existe o indivíduo e é esse o nosso ponto de partida. A idéia é de juntar todos os pontos do país apontando o que é preciso mudar questão por questão”, afirma Comin.
Maria Sizilio, da Associação de Instrução Popular e Beneficente, foi uma das primeiras a ser ouvidas hoje na audiência pública. Na opinião dela, a educação está entre os maiores problemas enfrentados pelo país.
“Escolhi o tema educação porque aqui, no Brasil, existe uma sociedade desigual. A desigualdade social é muito grande e temos que ter a cultura voltada para que a pessoa desenvolva seu potencial de trabalho e educação”, afirmou.
|
Juros devem cair com queda da inflação, diz presidente do Banco Central Europeu
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
São Paulo - O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, afirmou hoje (10) que a queda da inflação resultante da baixa do preço das commodities e também da demanda mundial deve permitir uma queda global de taxas de juros.
“Em vários países houve um recuo na expectativa de inflação, o que deve permitir uma flexibilização nas políticas monetárias”, disse Trichet, que participa, junto com presidentes de bancos centrais de 40 países, da reunião do Banco Internacional de Compensações (BIS, sigla em inglês) realizada em São Paulo.
Em entrevista coletiva, Trichet evitou falar da situação de econômica de países específicos, mas fez um balanço das discussões do evento. Segundo ele, todos os participantes do encontro concordam que a economia global passa por um processo de alívio da inflação. Porém, ele afirmou que o risco de deflação ainda é pequeno.
Trichet afirmou também que, em alguns países, principalmente emergentes, esse alívio não é tão sensível e, por isso, é necessário fazer uma análise caso a caso para se determinar se é possível reduzir juros ou tomar outras medidas na área monetária.
Ele recomendou que países com boa situação fiscal lancem pacotes de incentivo ao setor produtivo interno, a exemplo do anunciado pela China no último fim de semana.
“Em caso de países com boa situação fiscal, baixo déficit e baixo nível de endividamento, é apropriado que eles usem a margem de manobra que têm para amenizar o risco de recessão”, afirmou. “A China está na direção certa.”
Sobre as projeções de crescimento, Trichet afirmou que as mais recentes, por piores que sejam, são menos pessimistas do que as divulgadas meses atrás. Mesmo assim, ele disse que é preciso ficar alerta quanto ao movimento dos mercados, já que o sistema financeiro mundial passará por um importante processo de correção. |
G20 pede reforma profunda do Fundo Monetário e do Banco Mundial
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais das maiores economias do mundo reconheceram, em comunicado divulgado hoje (9), a necessidade de reformas profundas do Fundo Monetário Nacional (FMI) e do Banco Mundial.
No documento final do encontro do G20 realizado em São Paulo, eles informaram que é necessário que essas instituições ajam de forma mais adequada à realidade econômica mundial e estejam mais preparadas para os desafios do futuro.
“Nós enfatizamos nosso comprometimento com a profunda reforma das instituições de Bretton Woods para aumentar sua legitimidade e efetividade”, afirmaram, em texto assinado por todos os representantes dos 19 países presentes e a União Européia.
A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1940 e foi a primeira reunião de países para a definição de uma ordem financeira e monetária global. Nela, foram criados o FMI e Banco Mundial, além do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird).
O comunicado diz ainda que todas essas instituições devem ter papel importante na estabilização do mercado internacional. Porém, para que isso aconteça, precisam passar por adequações.
Do documento, consta ainda a sugestão de que o FMI faça a supervisão dos fundamentos econômicos dos países para, desta forma, evitar novas crises como a atual.
Lula chama países ricos de irresponsáveis na abertura do encontro do G20
Mylena Fiori
Enviada especial
São Paulo - Diante de ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais de 18 países e da União Européia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou hoje (8) os países ricos de irresponsáveis, na abertura da reunião do G20, o grupo das maiores economias mundiais.
Lula disse que não é justo que o resto do mundo pague pelas inconseqüências dos mercados financeiros e foi categórico: quem deve tomar medidas para evitar maiores conseqüências da crise financeira global são as nações desenvolvidas.
“É hora de uma ação coordenada. Mas o exemplo deve partir dos países ricos. É deles que se espera a adoção das principais medidas nesse sentido.”
O presidente enfatizou que a crise nasceu nas economias avançadas, em conseqüência da “crença cega” na capacidade de auto-regulação dos mercados e pela falta de controle sobre as atividades dos agentes financeiros.
“Por muitos anos, especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos pagando por essa aventura”, afirmou.
Lula criticou a postura dos países ricos em vários momentos. “A desordem que se instaurou nas finanças mundiais, nos últimos anos, ameaça o funcionamento da economia real. O preço a pagar por essa irresponsabilidade se pode medir de várias formas. Para nós, o que importa é a ameaça de uma recessão generalizada e, na sua esteira, a perda de milhões e milhões de empregos, o aumento da pobreza e da exclusão.”
Em outro ponto do discurso, ele voltou a pedir que os ricos assumam as conseqüências de suas práticas de livre mercado. “As políticas de cada país não podem transferir riscos e custos a outros países. Cada país deve assumir suas responsabilidades”, ressaltou.
Para Lula, cabe aos países ricos adotar medidas de liquidez para trazer liquidez aos mercados internacionais. “Os países desenvolvidos e instituições como o Fundo Monetário Internacional [FMI] devem adotar medidas para restaurar a liquidez nos mercados internacionais.” O diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, estava entre os ouvintes.
|
|
|
|
Lula espera mais atenção dos EUA para o desenvolvimento produtivo na América Latina
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (5) que espera do governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, uma política mais voltada para o desenvolvimento produtivo da América Latina.
"É preciso que os Estados Unidos construam uma política mais ativa com relação a América Latina, durante toda a década de 60, de 70, tinha a Guerra Fria, agora mudou, a democracia se consolidou no continente e espero que se construa aqui um continente de desenvolvimento, de investimentos nos países mais pobres", disse Lula após participar de cerimônia em comemoração aos 20 anos da promulgação da Constituição.
O presidente disse esperar também o fim dos subsídios e do bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba. "Não existe nenhuma explicação na história da humanidade para o bloqueio a Cuba", avaliou.
|
Itaú-Unibanco planeja expansão para América Latina
Ivy Farias
Repórter da Agência Brasil |
|




|
São Paulo - O novo banco formado pela fusão do Itaú e do Unibanco já tem destino certo para começar sua expansão no exterior, a América Latina. Ao participar hoje (4) de teleconferência ao lado do presidente do banco Itaú, Robero Egydio Setubal, o presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles, disse que este é um "caminho natural" a ser seguido.
"A América Latina é uma área preferencial. O México é um país muito interessante para nós", disse Salles. Segundo os executivos, o Chile, onde o Itaú tem pouca presença, e a Colômbia também estão na lista de prováveis futuros endereços.
"Sempre achei estranho o Brasil não ter uma multinacional, dado a aglomeração de talentos e ter um sistema financeiro desenvolvido. Agora existe esta oportunidade. Queremos construir uma empresa única que o país tenha muito orgulho", completou Salles.
Com a fusão, o Itaú-Unibanco passa a ser o 16º maior banco do mundo e o maior banco da América Latina. "No Brasil, nós representaremos 18% da rede bancária, com 14,5 milhões de clientes", afirmou Setubal.
No momento, a nova instituição está estudando como se dará a organização das agências. Setubal sinalizou que o Itaú não fechará nenhuma de suas agências. "Estamos estudando também como será a nova marca. Faremos antes uma pesquisa para entender a relação dos clientes com as marcas", explicou.
"Esperamos que em 2009 já comecemos a sentir os efeitos positivos desta integração", comentou Salles. Os dois presidentes explicaram que ainda não há um cronograma para pôr em prática a fusão.
"Dedicaremos um tempo relevante de nossas agendas para dar os próximos passos", explicou Setubal. |
Mantega diz que fusão solidifica Itaú e Unibanco e fortalece sistema financeiro
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considera que a fusão do Itaú com o Unibanco é importante porque vem solidificar as duas instituições. Segundo ele, é normal que no momento de turbulência e de problemas internacionais no setor financeiro exista um “movimento” como o realizado pelos dois bancos.
“Como esses são dois bancos tradicionais, sólidos e que têm uma atuação para a atividade econômica, acredito que é um fato importante nesse momento que eles se unam de modo a continuar o papel de liberar crédito”, disse.
Sobre a concentração no setor, o ministro lembrou que no momento em que se tem o recuo da liquidez e algumas dificuldades, o cenário bancário no Brasil vai ficar mais ou menos do jeito que já é - com 10 a 15 bancos relevantes e depois com bancos menores.
“Vai mudar um pouco, mas não muito, porque já é um setor concentrado. O mais importante é que essa concentração vem no sentido de fortalecer o sistema financeiro”, afirmou.
|
Banco Central retira parte da remuneração do compulsório sobre depósitos a prazo
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - O Banco Central (BC) divulgou, no final da tarde de hoje (30), circular que retira a remuneração de parte dos depósitos a prazo que os bancos são obrigados a recolher e que é conhecida como compulsório bancário. A medida vai entrar em vigor no próximo dia 14 e determina que 70% do compulsório sejam recolhidos em espécie, sem remuneração.
O anúncio da medida foi antecipado pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Durante mais de seis horas, junto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Meirelles respondeu aos questionamentos dos parlamentares.
Meirelles não detalhou, porém, o funcionamento da medida. Disse tão-somente que seria uma medida adicional para “tornar mais eficaz” o direcionamento do compulsório liberado dos bancos maiores para os menores, e estimou que exista oferta de R$ 28 bilhões para as compras de carteiras de crédito.
A decisão da autoridade monetária se constitui, portanto, em uma forma de pressionar os bancos maiores a repassarem mais recursos aos agentes financeiros de menor porte, de modo a garantir liquidez nas operações de crédito.
Os 30% restantes do compulsório sobre depósitos a prazo continuam a ser recolhidos ao BC na forma de títulos públicos. Atualmente, esse tipo de recolhimento é facultado até a totalidade do compulsório, o que vinha gerando denúncias de que alguns bancos estariam se valendo da opção para comprar títulos, ao invés de aplicar em ativos financeiros dos bancos menores, como ressaltou o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).
|
Mantega discute com representantes de bancos oficiais oferta de crédito na economia
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
|
|
Policiais civis em greve protestam no centro de São Paulo
Ivy Farias
São Paulo - Cerca de 7 mil policiais civis estiveram hoje (27) no centro de São Paulo para reivindicar melhores salários e condições de trabalho. A estimativa é da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo (Adpesp), uma das entidades que organizaram a paralisação.
Um dia após o término do processo eleitoral, o diretor da Adpesp, André Dahmer, fez questão de frisar que o caráter da mobilização não é político, como sugerido dias atrás pelo governador do estado, José Serra.
"Esta greve não tem nada a ver com política. Este movimento existe desde o começo do ano, chegou a este ponto por falta de negociações com o governo", disse o diretor da Adpesp, André Dahmer.
"Eles vão empurrar mais dois anos e então dizer novamente dizer que a paralisação é para prejudicar o processo eleitoral?", questionou o diretor em entrevista à Agência Brasil.
Os manifestantes se reuniram na praça da Sé e caminharam até a sede da Secretaria de Segurança Pública levando um caixão. "Queremos fazer um enterro simbólico de José Serra", gritavam os policiais. Vestindo uma camiseta com a foto do governador de São Paulo, muitos acusavam-no de matar a polícia.
Em greve desde o dia 16 de setembro, os policiais civis tiveram um conflito com policiais militares no dia 16 de outubro. "Vamos apurar quem mandou a tropa de choque ao nosso encontro. Temos uma série de medidas judiciais e políticas a serem tomadas", completou Dahmer sobre o episódio que aconteceu na frente do Palácio do Governo.
Durante toda a caminhada, os manifestantes também pediram que o secretário de segurança pública, Ronaldo Marzagão, renuncie ao cargo. Segundo os policiais, a mobilização não tem data para acabar. "Vamos ao Palácio novamente falar com o governador", completou Dahmer.
Kassab, Paes, Lacerda, João Henrique e Fogaça vão governar as maiores cidades do país
Da Agência Brasil
|
|




|
Brasília -
Já estão definidos os prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do país, nesta ordem: em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que derrotou Marta Suplicy (PT); no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), que venceu Fernando Gabeira (PV); em Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que derrotou Leonardo Quintão (PMDB); em Salvador, João Henrique (PMDB) que venceu Walter Pinheiro (PT) e em Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), que levou a melhor contra Maria do Rosário (PT).
Confira os resultados nas demais cidades que tiveram segundo turno.
Em Londrina, o ex-prefeito Antônio Belinati (PP) foi eleito novamente, derrotando o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB).
Em Joinville (SC), Carlito Merss (PT) venceu Darci de Matos (DEM).
Em Ponta Grossa (PR), Pedro Wosgrau Filho (PSDB) venceu Sandro Alex (PPS).
Em Florianópolis (SC), Dário Berger (PMDB) derrotou Espiridião Amin (PP).
Em Pelotas (RS), Fetter Junior (PP) venceu contra Fernando Marroni (PT).
Em Bauru (SP), Rodrigo Agostinho (PMDB) vence a disputa contra Caio Coube (PSDB).
Em Contagem (MG), a vitória foi de Marília Campos (PT) contra Ademir Lucas (PSDB).
Em Juiz de Fora (MG), Custório Mattos (PMDB) é o novo prefeito
Novo prefeito de São José do Rio Preto (SP) é Valdomiro Lopes (PSB)
Em Canoas (RS) Jairo Jorge (PT) venceu Jurandir Maciel (PTB)
Em Vila Velha (ES), Neucimar Fraga (PR) venceu Hércules Silveira (PMDB).
Em Montes Claros (MG), o eleito é Tadeu Leite (PMDB), que venceu Athos Avelino (PPS)
Em Anápolis (GO), Antonio Gomide (PT) derrotou Onaide Santillo (PMDB)
Em Macapá, Roberto Góes (PDT) venceu Camilo Capiberibe (PSB)
Novo prefeito de Petrópolis (RJ) é Paulo Mustrangi (PT), que obteve vitória sobre Ronaldo Medeiros (PSB)
Em Campina Grande (PB), Veneziano Neto (PMDB) venceu Rômulo Gouveia (PSDB)
Em Campos (RJ), Rosinha Garotinho (PMDB) é a nova prefeita, que venceu Arnaldo Vianna (PDT)
Em Santo André, o eleito é Aidan Ravin (PT), que venceu Vanderlei Siraque (PT)
Em Belém (PA), Duciomar Costa (PTB) venceu Priante Junior (PMDB)
Em São Luís (MA), João Castelo (PSDB) é o novo prefeito, vencendo Flávio Dino (PCdoB)
Em Guarulhos (SP), o novo prefeito é Sebastião Almeida (PT), que derrotou Carlos Roberto (PSDB)
Em São Bernardo (SP), Luiz Marinho (PT) venceu Orlando Morando (PSDB)
João Henrique de Barradas Carneiro (Feira de Santana, Bahia. 19 de junho de 1959) é um político brasileiro, filho do Senador baiano João Durval Carneiro.
Foi vereador em Salvador de 1989 a 1995, deputado estadual de 1995 a 2004 e desde 2005 é Prefeito de Salvador. Foi filiado ao PFL até 1994, quando passou a ser membro do PDT. Em abril de 2007 filiou-se ao PMDB, deixando o PDT.
Como atual prefeito disputou as eleições 2008 como candidato a reeleição, sendo reeleito no segundo turno com mais de 58% dos voto valídos.
|
Mais de 27 milhões de eleitores vão às urnas neste domingo para escolher 31 prefeitos
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Brasília - O processo eleitoral deste ano para escolha dos 5.563 prefeitos termina amanhã (26), com a eleição de 30 chefes de Executivo de cidades com mais de 200 mil eleitores. Entre elas, 11 capitais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo (SP). Pelos cálculos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitos devem ser conhecidos três horas após o encerramento da votação. Mais de 27 milhões de pessoas devem votar neste segundo turno.
Além das 11 capitais, haverá segundo turno em 19 municípios: Anápolis (GO), Bauru (SP), Campina Grande (PB), Campos dos Goytacazes (RJ), Canoas (RS), Contagem (MG), Guarulhos (SP), Joinville (SC), Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), Mauá (SP), Montes Claros (MG), Pelotas (RS), Petrópolis (RJ), Ponta Grossa (PR), São José do Rio Preto (SP), Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP) e Vila Velha (ES).
Em Benedito Leite, pequeno munícipio do interior do Maranhão, os eleitores também vão às urnas neste domingo para eleger o novo prefeito e nove vereadores. Isso porque a votação de 5 outubro teve de ser cancelada em conseqüência de um protesto da população, que q | | | | | |
|---|
|