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Vejo mundos utópicos de rara beleza,
Não em sonhos, mas na certeza,
Isso é verdade,
Vejo mundos separados por grandes fortalezas,
Às vezes tão próximos que se ferem,
E se ferem por serem tão distantes,
Triste realidade,
Vermes vestindo cetim sob o chão espelhado
de mármores brancos encerados
com o suor de um povo humilde, |
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Vejo oceanos de incertezas e de fortes correntezas,
Há quem vá contra a maré e não volte mais, muitos eu já ouvir falar,
Vejo portas de palácios arrombadas por centenas de vozes,
Muralhas foram despedaçadas em milhares fragmentos democráticos,
Rostos aterrorizados atrás de cortinas de fumaça, cinza fumaça de vergonha,
Os ventos que outrora eram bons, hoje já não sei se há,
Pois está manchado em sua gente, com requintes de crueldades,
Marcas de uma forjada realidade,
Vejo mofinos moribundos desacordados, amontoados e sem amanhãs,
Vejo bandeiras tiritantes paradoxais, sem o penhor da igualdade,
Vejo o circo em suas esquinas, enfeiando e extinguindo gradativamente sua alegria,
Farrapos de gente em suas vias, vielas e favelas de portas sem tramelas, e isso eu também fui,
Mas, insisto em acreditar que chegarei um dia no seio do seu paraíso,
Construirei minha embarcação com miúdos de esperança,
E a minha vela será a minha alma verde e amarela,
Caminhando e cantando? Talvez! Sempre sonhando isso eu sei!
Mas jamais vou embora! Porque aqui hei de morrer! Verás que um filho teu não foge a luta,
E em vida vou velando meu sofrimento e de tantos outros teus, sobreviventes de alguns naufrágios do passado nem tão distante assim,
Sem certezas concretas de um novo amanhã e a pesar de tudo, esbanjo sorrisos de felicidade. Passeio em campos ainda verdejantes, em bosques sem vidas, com vidas sem amores e seus céus sem cantores.
Mas você jamais estará sozinha ó mãe gentil! Sua gente heróica, plácida, porem guerreira contemplará seu lábaro perfeito até o fim.
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